Walter Pantoja

"Não existe rua com pedras mudas nem casa sem ecos..." (Góngora y Argote)

Textos

Íntima chuva

A solidão que se aproxima é fria, é cinza... carregada de saudades.
É como uma lâmina afiada que corta e sangra a alma.
Somente chove, chove... chove, suavemente chove
molhando a calçada, a velha calçada da rua
que um dia já foi chamada de Felicidade.
A noite fez-se triste, distante, vazia... cinza.
Mas ela sabia que aquela solidão era efêmera,
e no inevitável amanhecer o sol estaria lá,
dissipando a escuridão, fria escuridão, triste escuridão...
vazia escuridão.




Como companhia, apenas uma garrafa de vinho rosé sobre a mesa
e uma chuva fina batendo suavemente
na vidraça da janela do quarto.
E assim... entre o frio, o cinza, a saudade,
o vazio, a distância, a escuridão, o vinho rosé... a rua e a chuva,
ela deixou escapar uma lágrima no vazio da noite
e vestiu-se de pura liberdade...
quebrando regras, rasgando acordos, desfazendo tratados...
Acordou os anjos, tristes e solitários
e despercebidamente dançou na chuva, tão íntima chuva,
esperando amanhecer... simplesmente amanhecer,
na rua que um dia ela chamou de Felicidade.
Mas chove, chove... chove, intimamente chove...
regando um amanhã onde tudo certamente se refaz....
se refaz!


                                                                                             by Walter Pantoja

(imagem: Google)
walter pantoja teixeira
Enviado por walter pantoja teixeira em 12/09/2018
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